domingo, 1 de julho de 2007

"Alone with Everybody"

Esse fim de semana foi interessante, pois pude ter dois pontos de vistas diferentes sobre o mesmo tema: a solidão. Explico já como foi essa experiência.

Sábado fui pra Sampa, na Festcomix. O evento em si estava bem melhor do que no ano passado, num lugar ótimo e o material bem mais organizado. Só que alguma coisa estava errado, e não eram os preços. Estava eu, num lugar cheio, lotado, de pessoas que compartilham um gosto em comum: a paixão por gibis. Mas mesmo assim, olhava para as pessoas lá, tanto quem estava trabalhando quanto os compradores, e não conseguia achar alguém que desse pra conversar. O lugar parecia mais uma megaliquidação, como aquelas da Pernambucanas, do que algo para promover a integração de pessoas com o mesmo gosto por quadrinhos. Aliás, mesmo gosto não, pois havia de tudo. Os mega-nerds, quase um esterotipo de gente, de tão caricatos e previsíveis; os "alternativos", que mais do que o gosto pelos quadrinhos, compartilham uma paixão egocêntrica pelo diferente; os tiozões que cresceram lendo os gibis da Ebal e cia, arrastando os seus filhos pra esse universo também; os animeiros comprando seus mangás, independente da qualidade dos mesmos (vi um comprando a coleção completa do Love Hina...). Enfim, no meio de tanta gente, me senti sozinho como poucas vezes. Ano passado tive a companhia do Pedro, mas esse foi o ano da solidão. Não ajudou muito o fato de eu não ter dinheiro, nem talão de cheque e nem limite no cartão. Saí de lá apenas com um monte de propaganda, que nem hesitei em jogar fora.

A Avenida Paulista, um dos meus lugares preferidos, estava sufocante. A opulência de seus prédios, as suas lojas gigantes, agências bancárias piramidais, pareciam me mostrar que pouco importava o quanto eu crescesse, quanto dinheiro ou inteligência eu tivesse, ainda assim seria minúsculo, apenas mais um entre mais de seis bilhões. O ingresso de cinema de 17 reais fechou a viagem com chave de ouro, e voltei pra Cubatão com o rabo entre as pernas.

Depois, o Dudu e eu fomos até a casa do Wagner, pra assistir "Extermínio". O filme não é novo, eu sei, mas nunca tinha assistido. E apesar de alguns momentos dispensáveis, e a torrente de Pepsis, o filme mostrava mais ou menos isso que falei sobre solidão, mesmo estando no meio de uma multidão. E como cada um se fecha em si mesmo, usando uma justificativa de auto-preservação e cometem atrocidades uns contra os outros por essa preservação. Não importa o quanto pensamos ter evoluído, ainda lutamos como animais selvagens por território. Enfim, ótimo filme, quem não viu, veja.


Já hoje foi uma versão ao contrário de ontem. Acordei 3 da tarde, depois de um sábado cansativo como esse. E mesmo assim, andava em câmera lenta. Joguei a culpa no frio, mas sei muito bem que não era isso. Enfim, fui com meu irmão até o Casqueiro, pois ele iria tocar junto com um amigo, mas não pôde pois o mesmo estava doente. Mesmo assim, o Nahuel (meu irmão) tinha que aparecer no lugar pra justificar porque não podia tocar. Depois de cumprida a missão, fomos até o Compre Bem, e por coincidência encontramos uma professora dele, Evânia. Ajudamos ela com as compras, e depois fomos até a casa dela tomar um lanche. Todo mundo da minha família já conhecia a Evânia, menos eu. Então foi estranho, pois era alguém que eu nunca tinha visto que sabia muito sobre mim. Mas ela é uma pessoa muito boa, muito mesmo, e com uma visão de mundo parecida com a minha. Conversamos por horas sobre amigos, trabalho, inveja e claro, solidão. Assim como eu, ela é uma pessoa muito solitária. Por muito tempo, dá pra tentar se viver dessa maneira, mas tem uma hora que cansa não ter com quem compartilhar pensamentos, alguém que possa te compreender e não te repreender, independente se o que você vai dizer é um absurdo ou uma mentira. E com esse encontro nada planejado, com uma pessoa que eu pensei que nunca ia conhecer, eu percebi várias coisas. Uma é que não é necessário ter um "amante" pra que você encontre essa pessoa de quem precisa. Pode-se viver muito bem sem nunca ter tido intimidades físicas com ninguém, mas ter intimidade intelectual é imprescindível para a felicidade. Percebi também que nós, os sozinhos, sempre nos achamos os únicos, marginas da sociedade. Mas na verdade somos muitos. O que falta é um encontrão, uma esbarrada do destino, ou que você procure em algum lugar. Aos poucos você se acha, e quando percebe, não está mais sozinho.

Post comprido, espero que tenham paciência de ler tudo. Como falei, no começo tenho muito a dizer, mas depois a coisa vai ficando difícil. Mesmo assim, espero que vocês, meus amigos, consigam me entender melhor, pois sei que sou uma pessoa difícil. Abraços a todos.


WE HATE IT WHEN OUR FRIENDS BECOME SUCCESSFUL

We hate it when our friends become successful
We hate it when our friends become successful
Oh, look at those clothes
Now look at that face, it's so old
And such a video !
Well, it's really laughable
Ha, ha, ha ...

We hate it when our friends become successful
And if they're Northern, that makes it even worse
And if we can destroy them
You bet your life we will
Destroy them
If we can hurt them
Well, we may as well ...
It's really laughable
Ha, ha, ha ...

You see, it should've been me
It could've been me
Everybody knows
Everybody says so
They say :

"Ah, you have loads of songs
So many songs
More songs than they'd stand
Verse
Chorus
Middle eight
Break, fade
Just listen ..."
La, la-la, la-la

6 comentários:

Eduardo disse...

De fato, o mais engraçado da solidão é inconscientemente saber que não se está realmente sozinho.

Sempre tem um monte de gente à nossa volta, e acredito q uma boa parte delas sinta a mesma coisa.

Enfim, coisa difícil de se driblar, o jeito é abrir uma Pepsi e ser feliz! :P

Anônimo disse...

mto bom o texto!
ótima idéia de ter feito o blog, é bom ter um desabafo legado para você futuramente rever oque passou e se ainda passa por mesmas idéias, reflexões e angústias... é isso ae!
"talvez certo ou não!"* solidão é algo que caminhará sempre junto de cada um de nós, é uma válvula que nós temos o controle, é quase sempre temos o controle, dosamos com ela nossa vida dependendo da situação que passamos... mas relaxa, são momentos que parecem eternos, só parecem!

então deixo no ar uma reflexão: "talvez certo ou não!"*
talvez.
certo.
não.

aheuaheuah

abraço!
boa sorte e bons fluídos!

Wagner - The Old_revenanT disse...

Quando vc se sentir sozinho ou quando o mundo estiver desmoronando a sua volta, lembre-se: sempre será um bom momento pra mais uma Pepsi!
Huahauahuahau
Brincadeiras a parte, eu concordo com vc, lembro que as vezes tinha essa sensação de solidão e "deslocamento" em alguns dos Pre-releases que jogamos, aquele monte de gente com um hobby em comum, mas ao mesmo tempo estranhos demais pra se confraternizar.

[Off] Vi algumas fotos da Fest Comix, putz tinha uma gorda vestida de Feiticeira Escarlate que tava muito engraçada!

Anônimo disse...

Olá!!!
Bom, em 1°lugar desculpe invadir seu blog, mas ñ resisti...
2º esse nome "A Voz do Fracasso", ñ é condizente com vc por N motivos... e bem lá no fundo vc sabe disso.
3º esse negócio de 1º, 2º e 3º é mto chato rss
Adorei a verdade com a qual se expõe é de pessoas assim q o mundo precisa.

Camilo Garcia Bogado disse...

Rê, bem vinda! O nome me veio de repente. E achei que ficou muito bom. Não me acho um fracasso como pessoa, mas analisando o que se considera uma pessoa de sucesso (inteligente, estudioso, com curso superior completo, namorando e feliz), sou quase que o total oposto disso! XD
tanto que na CEF quase não posso galgar funções por não ter o "perfil" desejado pelos nossos incríveis empresários de mente pequena no país. Enfim, obrigado pela visita, volte sempre! XD

Unknown disse...

Oi Camilo, tudo bem? A solidão atinge a todos, só que se você fosse mulher ia ficar muito feliz numa megaliquidação de roupas que nem ia lembrar o que é solidão (Rsrsrs). Não mude o que você é, só para tentar um m... de uma função. Tudo depende dos olhos de quem vê, hoje você pode ter o perfil perfeito e amanhã já não ser adequado para a mesma coisa. Só te digo o seguinte "Seja feliz!'", eu sei é piegas, mas acrescento apesar do dinheiro.