sexta-feira, 13 de julho de 2007

"John, I'm only dancing"

A maior parte do tempo, as pessoas com quem convivo (e eu mesmo) se esquecem de um fato básico sobre mim: eu tenho apenas 23 anos. Isso soa tão óbvio, mas reparando naquilo que costumam cobrar de mim, seja posturas profissionais, seja financeiramente, enfim qualquer coisa, a maior parte do tempo esse "pequeno" detalhe passa desapercebido. Sinto falta de ser irresponsável, dependente, inconseqüente e outras coisas comuns à pessoas dessa faixa de idade. Não que isso seja totalmente ruim, eu não quero ser um "jock". Mas, às vezes, penso em coisas que deixei de fazer por ter tido desde cedo a obrigação de cuidar de mim mesmo, já que ninguém mais o faria por mim. Também por isso, tenho muito problema com figuras de autoridade, pois eu sempre fui a medida máxima do meu universo. Pra uma pessoa conseguir meu respeito e admiração não é nada fácil, pois ela tem que ser muito melhor do que eu pra isso. E, sem modéstia, não é muito fácil encontrar esse tipo de gente. Sou obrigado a ver pessoas muito mais velhas do que eu, às vezes casadas e com filhos, mas que possuem uma mentalidade tão supérflua que me irrita. Pessoas que puderam se dar ao luxo de passar de mãos dadas a maior parte da vida, e quando se viram soltas das amarras familiares o mundo já os esperava de braços abertos.

Nunca tive esse tempo. Sou um animal selvagem, por exemplo uma girafa, que tem que aprender no nascimento a andar, pois se não consegue há um cerco de leões prontos pra devorar o filhote jogado no mundo. Engraçado que essa minha precocidade continuou na minha vida profissional, pois entrei na CEF com 18 anos, idade em que pra maior parte das pessoas a maior preocupação é qual vai ser a balada do fim de semana ou, quando muito, o vestibular. Essa parte toda eu pulei, e caí de páraquedas num mundo empresarial, que pode ser muito cruel com as pessoas. Tive muita sorte de ter caído em uma agência especial, que é Itanhaém, onde a maioria dos funcionários tinha mais tempo de CEF do que eu de vida. Fui bem acolhido, e protegido de algumas crueldades maiores. Mesmo assim, quando tive que ser solto de lá, me senti totalmente desnorteado, e as conseqüencias disso as pessoas que frequentam esse espaço sabem muito bem quais foram. Levei muita pancada, muita mesmo, de gente que não teve dó de mim, mesmo sabendo que eu era um "oponente" mais fraco.

Hoje posso dizer que cresci nesses cinco anos de CEF pelo menos o dobro. Sou uma pessoa que aprende muito fácil, e os erros que cometi nesse caminho não são parte do passado, ainda estão bem vivos no meu presente, e cair nesses mesmos buracos vai ser bem difícil. Não sou uma pessoa competitiva, mas posso dizer que alguém que quiser passar a perna em mim hoje vai ter bastante trabalho!

Desculpem o desabafo, mas hoje eu precisava dizer isso. E se em algum momento eu parecer imaturo, lembrem-se da minha idade, e às vezes tudo o que uma pessoa de 23 anos quer é dançar. Abraços a todos!

BAD RELIGION - STRUCK A NERVE


There's an old man on a city bus
Holding a candy cane
And it isn't even christmas
He see's a note in the obituary
That his last friend has died
There's an infant clinging
To his overweight mother in the cold
As they go to shop for cigarettes
And she spends her last dollar
On a bottle of vodka for tonight
And I guess it struck a nerve
Like I had to squint my eyes
You can never get out
Of the line of sight
Like a barren winter day
Or a patch of unburned green
Like a tragic real dream
I guess it struck a nerve
Every day I wander
In negative disposition
As I'm bombarded by superlatives
Realizing very well that I am not alone
Introverted
I look to tomorrow for salvation
But I'm thinking altruistically
And a wave of overwhelming doubt
Turns me to stone
And I guess it struck a nerve
Sent a murmur to my heart
We just haven't got time
To crack the maze
Like a magic speeding clock
Or a cancer in our cells
A collision in the dark
I guess it struck a nerve
I try to close my eyes
But I cannot ignore the stimuli
If theres a purpose for us all
It remains a secret to me
Don't ask me to justify my life

5 comentários:

Eduardo disse...

Como dizia o mestre: Você vai ter que acordar muito cedo pra passar a perna no velho R. Crumb

A vida é vivência, por mais redundante que isso soe.
Quando a gente acha que já viu e comeu de tudo, aparece algo novo e ficamos sem reação.

Eu mesmo to de saco cheio de não ter responsabilidades...

Wagner - The Old_revenanT disse...

Gostei bastante desse post, acho que me identifiquei bastante, as vezes analiso o fator "idade X responsabilidade" e fico meio perdido...
Como saber o momento certo para as decisões que pretendo tomar sem deixar para trás outras decisões que jamais poderei retomar?...
Essa questão me assombra as vezes, até o momento acho que fiz as escolhas corretas... mas então me pergunto: quando vou saber qual delas foi errada?!

Anônimo disse...

Camilo, gostei muito deste seu post. Só que eu já não tenho 23 anos... Entendo o que você passa em parte, pois você sabe que em casa eu tenho 3 pessoas maravilhosas cuidando de mim, mas no trabalho... deixa isso para lá. Quando eu "fichei" na CEF eu tinha 19 aninhos, era mais nova que a maioria das estagiárias daquela época. Mas plagiando um cantor que você nem deve saber quem é "... Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos..."

Camilo Garcia Bogado disse...

Pois é Ângela, a precocidade tem seu preço, bem alto. E nós estamos pagando com juros. O problema maior é a inveja de pessoas que são mais velhas de CEF, de vida e não tem metade da nossa capacidade. Mas ainda acredito que nossa hora chega.
E, sim, eu sei que essa música é do Rei Roberto! XD

Anônimo disse...

Não é, é do Fábio Jr! =P