segunda-feira, 9 de julho de 2007

"In My Life"

Feriadão acabou, e amanhã teremos mais um dia de trabalho emocionante. Enfim, se alguém leu meu post anterior, me desculpe, mas ele estava muito ruim e confuso. Quando eu tiver mais experiência na escrita volto ao tema, por enquanto vamos ficando com aquilo que sei escrever: eu.

Vamos então ao assunto de hoje, a nostalgia citada no post anterior. Mais especificamente, a parte ruim da minha adolescência que eu falei ali embaixo. Comecemos do princípio então, o ano de 1997 (não façam menção à música do Hateen por favor...). Sempre estudei no Lorena, colégio municipal perto da minha casa, e durante os seis primeiros anos, apesar de toda dificuldade de me socializar, consegui fazer alguns poucos amigos que ficaram comigo até a sexta série. Mas na sétima me vi obrigado a ficar em uma classe onde não conhecia ninguém. Pra mim, em início de puberdade, aquilo foi um inferno que é difícil de lembrar sem me machucar. Os primeiros meses eu ficava totalmente isolado da classe, enquanto o resto se familiarizava com a situação facilmente. Só comecei a ser notado depois do fim do bimestre, já que minhas notas sempre foram boas, então apareceu gente querendo saber quem eu era, e como eu poderia ajudá-las. Não estou reclamando dessas pessoas, pois gosto delas até hoje. Do meio do ano pra frente eu já havia firmado meus pés nessa nova classe e feito amizades. Também foi nessa época em que me apaixonei pela primeira vez, mas nunca pude ficar com essa pessoa que eu gostava. Enfim, apesar disso, me sentia muito feliz.

Maior alegria veio no ano seguinte, quando vi que a classe da 8ª iria ser a mesma. Todo mundo já se conhecia bem, éramos amigos já, então foi uma época muito feliz. Mas havia um problema no horizonte: o ensino médio. Já havia decidido muito antes da 8ª que iria estudar na Federal de Cubatão, e apesar de nem ter pensado em estudar, pra mim era óbvio que iria passar, porque meu irmão também tinha passado sem estudar nada (ah, a mente jovem... que inocência!). O resto da minha classe também queria estudar naquele colégio, considerado um dos melhores da região (que engano, que engano!). Fato é que da classe de quase 40 pessoas, eu fui o único a passar na Federal de cara (daqui pra frente começa a parte muito ruim da história). Mais uma vez tive que me ver sozinho, e isso me fez sofrer muito. Se não fosse por minha mãe, eu escolheria estudar no Schimidt, junto com as pessoas que conhecia, mas não foi assim.

Acabei entrando na primeira turma da tarde, a 147 (número assombrado pra mim). A Federal, mesmo sendo apenas uma merda de colegial tinha o costume bárbaro de dar trote nos novatos. Assim foi no primeiro dia, os veteranos me fizeram sentir totalmente humilhado. Decidi então que não iria na primeira semana pra fugir dessa barbárie, e assim o fiz. Assim que voltei ao colégio, muitas pessoas já haviam achado seu canto, e eu continuava sozinho. Pensei que por ter tido uma pré-seleção seria mais fácil eu achar pessoas em comum comigo, mas o que vi foi justamente o oposto, tendo que aguentar o bando de patricinhas e mauricinhos daquele colégio. Busquei refugo com os "nerds" da classe, embora nós não tivéssemos muito em comum, tirando a falta de tato social. Enfim, entre muitas trocas de professores, trabalhos em grupo feitos sozinhos, greves e problemas parecidos com o de meu emprego atual, consegui passar da Federal sem repetir nenhum ano, apenas com duas DPs no segundo ano (Física e Química, exatas são meu pesadelo). Também trabalhei como monitor da biblioteca durante o segundo e o terceiro ano. Foi, acho eu, a única coisa realmente boa que aconteceu comigo no colégio, pois além de aprender a ter responsabilidades, conheci muitos autores ótimos, e meu amor por Fernando Pessoa foi elevado à décima potência.

"Mas, Camilo, e o resto da sua adolescência como foi? Afinal essa é a época da pegação geral, não é???" você pode perguntar. Pra mim não foi bem assim. Com problemas sérios em casa, e uma personalidade extremamente difícil, minhas horas livres eram ocupadas com três coisas: anime, mangá e RPG. O resto, o que muita gente considera o melhor da adolescência, passou a quilômetros de mim. E eu nem procurava me envolver com isso. Se estudar já era um martírio pra mim (quantas vezes eu faltei!), imagine ir pruma "danceteria" ouvir música que não gosto, apenas pra pegação? Até hoje não faço isso, naquela época que eu era ainda mais fechado então...

Enfim, depois da Federal, passei de cara na Unesp pra estudar letras. Mas não ia passar por todo esse sofrimento de novo, e apesar de ter feito minha matrícula e conhecido a cidade onde iria estudar (Assis, uma cidade que me pareceu pior que Cubatão), nunca mais fui pra lá. Não consigo me imaginar morando numa pensão com pessoas totalmente estranhas e estudando apenas. E a cidade era no meio do nada, e a campanha de RPG que eu jogava estava apenas no começo, então fiquei por aqui. Comecei a trabalhar na Associação de minha tia, e nesse mesmo ano (2002, se alguém se perdeu nessa confusão), prestei o concurso da CEF e passei, até hoje sem saber exatamente como. Passei bem colocado, 19º da Baixada, então antes mesmo do fim do ano já estava com um emprego que muita gente mais velha do que eu apenas sonhava (entrei na CEF ainda com 18 anos).

Bom, por hoje chega. O resto considero já minha vida adulta, e merece um post diferente desse. Ainda essa semana conto os "early years", e o que veio depois. Abraços a todos!


U2 - WALK ON

And love is not the easy thing
The only baggage that you can bring
Love is not the easy thing
The only baggage you can bring
Is all that you can't leave behind...

And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it's a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong

Oh, oh
Walk on, walk on
What you got, they can't steal it
No, they can't even feel it
Walk on, walk on
Stay safe tonight

You're packing a suitcase for a place none of us has been
A place that has to be believed, to be seen
You could have flown away
A singing bird in an open cage
Who will only fly, only fly, for freedom

Oh, oh
Walk on, walk on
What you got, they can't deny it
Can't sell it, or buy it
Walk on, walk on
You stay safe tonight

And I know it aches
How your heart, it breaks
You can only take so much

Walk on...
Walk on...

Home...
Hard to know what it is, if you never had one
Home...
I can't say where it is, but I know I'm going
Home...
That's where the hurt is...

And I know it aches
And your heart, it breaks
And you can only take so much

Walk on...
(Hooo)

Leave it behind
You got to leave it behind
All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you feel

All this you can leave behind

All that you reason, (it's only time)
(And I'll never fill up all I find)
All that you sense
All that you scheme
All you dress-up
All that you've seen
All you create
All that you wreck
All that you hate

3 comentários:

Wagner - The Old_revenanT disse...

Ei vc deletou o post sobre o "Filhos da Esperança"? Não tava ruim...

Estava pensando em quanto tempo demoraria até vc falar da Federal... Eu, como vc sabe, tenho uma visão diferente dos anos de Federal, talvez por ter estudado o ensino técnico lá tb, o que me fazia passar o dia inteiro por lá.
Eu considero aqueles anos bons, os professores em sua maioria (Ensino Médio) eram toscos, tinha muita gente tosca tb (mauricinhos/patricinhas/pseudo-funkeiros etc), mas ainda assim as coisas boas prevaleceram sobre as ruins, resumindo: acho que foi a época que mais joguei RPG :)
Lembro tb as vezes que nós voltamos quando o Dudu já estudava por lá (e nós não mais) e ficamos jogando Magic com o pessoal que tinha repetido Hauhauahauahuahauahau

Ops já me prolonguei demais, afinal o Blog é seu :p

Putz, como vc conseguiu passar na prova da CEF tendo estudado 3 páginas mais da apostila do que eu?!

Anônimo disse...

Puxa Camilo, eu também estudei na Federal e os anos não foram tão ruins assim... Você falando me fez lembrar que eu e mais 3 colegas formavámos um grupo que auto-denominamos "ANCAPASÚ", isso mesmo proparoxítona terminada em U acentuada, só nós mesmas, fora a falta de criatividade total afinal de contas era ANgelaCArlaPAtríciaSUzana. Das quatro eu sou a única que ainda não tem uma filha e a minha amiga mais próxima dessa época não é nenhuma das três. Bye, me prolonguei demais!

Eduardo disse...

Federal era uma merda mesmo.

A mina sorte foi repetir o primeiro ano e cair numa classe cheia de nerds jogadores de rpg, oq fazia daquele um habitat ideal pra mim.

A lástima foi ter conhecido uma pessoa que fez de mim alguém muito infeliz.

Mas no ano seguinte conheci a Vivi, então valeu a pena.

Em suma, Federal é um cocozão e hoje em dia dá mais mongol que naquele tempo, acredite.